O texto que você vai ler abaixo é um relato forte e tocante de uma mulher que carrega sobre seus ombros meio século da história de luta do povo africano, em especial Angola, contra o colonialismo e sua vivência em mais dois continentes – Europa e América do Sul – onde viveu e sentiu as marcas do racismo, da intolerância e a dor e humilhação da escravidão.

Marisol Kadiegi é uma jornalista e documentarista angolana, que ainda menina, quando era tratada por todos como Luzembu, em língua quimbundo, um dos idiomas nacionais de Angola, se perdeu da família em meio aos horrores da guerra de independência de seu país contra o jugo português. Acabou sendo levada para Portugal como refugiada, ainda menina, e entre outras coisas comeu comida até do lixo. Foi “adota” por uma família que a transformou em escrava por quase 13 anos, vítima de maus tratos, tendo que trabalhar como doméstica recebendo em troca comida e roupa, em plena década de 80 do século 20.

A história dela foi vencedora de um concurso promovido em 2012 pela então Secretaria de Promoção de Política de Igualdade Racial (SEPPIR), na categoria Redação, da qual ela foi vencedora.

Do luto à luta: a história de três continentes marcados pelo racismo

Por Marisol Kadiegi

Nasci em uma aldeia chamada Candunda, uma região montanhosa na província de Kuanza Norte, na Angola. Meu pai era soba – título que, na nossa cultura, representava a figura do líder máximo da comunidade. Deram-me o nome de Luzembo Kadiegi. Era a única menina em meio a outros onze irmãos; filha da segunda das quatro mulheres de meu pai.  Buscando imagens dessa época, a primeira coisa que me vem à cabeça é a cor do lugar, em um tom entre o cinza e o castanho. Lembrar da poeira e das casas de barro faz com que, estranhamente, eu passe a sentir um gosto de terra na boca. Era disso que a aldeia era feita: de terra.

A memória me permite revisitar, ainda, os longos e estreitos caminhos que percorríamos à procura de água, no meio do mato. Do outro lado, sempre vinha alguém carregando um feixe de lenha, uma bacia de louça lavada no rio ou um saco com o que era colhido da roça.

A vida seguia tranquila. Meu pai comandava as principais decisões do povoado, desde as cerimônias de casamento até a sentença a ser aplicada em caso de delitos na região. A partir do meu olhar infantil, a impressão que eu tinha é que ele era um homem enorme, de mais de dois metros de altura, tal era o poder e a admiração causada em toda aquela gente. Não pude conter o riso ao descobrir, mais tarde, que o meu herói era, na verdade, bastante baixinho.

Os dias passavam em harmonia sob os cuidados da minha mãe, Kapemba, que era sempre muito carinhosa comigo e com os filhos das outras esposas. Mas toda essa calmaria estava bem perto do fim. O país logo entraria em uma fase de extrema tensão política. Nos anos 1960, os movimentos de libertação desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português e a disputa acabou gerando um confronto militar sem precedentes.

‘As tropas chegaram!’

 

Vários movimentos, de diferentes interesses e ideologias, passaram a se digladiar em uma luta sanguinária em que todos saíam perdendo. Com a guerra instalada, não restava alternativa a não ser tentar se proteger da maneira que fosse possível. Começamos a ouvir relatos de saques, raptos de mulheres, assassinatos, histórias horríveis. Meu pai alertava para que todos escondessem as crianças. Certo dia, nossa aldeia sofreu um ataque surpresa da Frente Nacional de Libertação de Angola, um dos lados envolvidos no combate.

Eu ouvia as pessoas gritarem: “As tropas chegaram! As tropas chegaram!”. Cada um corria para um lado, por puro instinto de sobrevivência. Eu tinha apenas sete anos, mas me lembro de cada detalhe. Em meio a esse tumulto, acabei me perdendo da minha família. Foi a última vez que eu vi os meus pais.

Sem saber o que fazer, continuei andando e passei a seguir um grupo que também parecia perdido. Caminhamos por muitos quilômetros. Quando subiram em um caminhão, eu fui atrás. Não queria ficar sozinha. Chegamos finalmente a uma espécie de refúgio, em outra cidade, onde as pessoas faziam fogueiras e dormiam amontoadas umas sobre as outras. Procurei incansavelmente reconhecer alguém entre todos aqueles rostos assustados e tristes. E essa busca me acompanhou a vida inteira.

A saudade de casa apertava cada vez mais e eu chorei, tomada por um forte sentimento de remorso. Comecei a lembrar de quando brigava com os meus irmãos e me doía pensar que nunca mais estaria com eles. Por um golpe de sorte, fui encontrada por uma tia, chamada Cândida. A partir daí, minha jornada seria ao lado dela e do marido, um português ruivo e cheio de sardas. O casal tinha ainda uma filha biológica e outra adotiva.

Restava o chão frio

Fomos acolhidos em um grande acampamento em Kinshasa, capital do Zaire. Hoje, República Democrática do Congo. Era impressionante ver aquele mar de gente andando para lá e para cá. Ali, imperava a lei do mais forte e as crianças, definitivamente, não tinham vez. Os adultos dormiam em pedaços de colchões. Para nós, só restava o chão frio. Peguei sarna, piolho, frieira. Fui testemunha de todo tipo de violência e promiscuidade. Nem as meninas eram poupadas de tanto assédio. Ainda por cima, precisávamos conviver com as ofensas diárias dos zairenses, que nos enxotavam e diziam que estávamos lá apenas para sujar a cidade.

Em um dia qualquer do mês de março, chegou a notícia de que os portugueses e suas famílias seriam repatriados. A princípio, pareceu a esperança de dias mais amenos, mas o fato é que aquele momento teve um peso incontestável na minha história. Estava dando adeus à minha querida mãe África, ao meu povo e à minha verdadeira identidade. Dali em diante, não seria mais uma negra entre tantos negros. Seria uma negra em um país de brancos. E isso fez – e ainda faz – toda a diferença.

Meus tios, as filhas e eu desembarcamos em Lisboa em uma época de muito frio. Seguimos direto para a pequena cidade de Castro D’Aire e, lá, fomos alojados em pensões pagas pelo governo português. É impossível esquecer o olhar com que a população nativa nos recebeu, como se fôssemos bichos selvagens prestes a atacar qualquer um que passasse pela frente.

Como sempre, a minha imaginação de criança era o maior subterfúgio em situações como essa. Ficava horas e horas olhando para o céu e pensando: “Será que, se eu conseguir chegar até aquela nuvem e pular para o outro lado, estarei em Angola?”. Quando me diziam que, no fim do mundo, Jesus viria para levar os seus, imediatamente eu sonhava: “Quando subir de volta, vou segurar nos pés dele. Assim, se cair, tenho a chance de cair na África”. Nem preciso dizer que nada disso aconteceu. Pelo contrário, as minhas possibilidades de ir para casa estavam, a cada dia, mais escassas.

Quando o sol aparecia, todos os abrigados iam para o pátio para tentar se aquecer. E, na rua, as mães puxavam os filhos, com medo de nós. Era comum ouvir comentários preconceituosos de que os negros eram todos ladrões e as negras, prostitutas. Diziam que nós éramos horrorosos, inúteis e que cheirávamos mal. A pensão virou um foco de conflitos interraciais. Sob tanta pressão, meus tios começaram a beber e acabavam descontando a raiva na gente. Muitas vezes, apanhei calada.

Chorando silenciosamente

Como não possuía documentos que comprovassem o parentesco, agentes do governo me separaram dos meus tios, que decidiram deixar o pensionato. Fiquei apenas com a Paula, a filha de criação deles. Tínhamos por volta de oito anos. Aos poucos, a verba destinada à manutenção dos angolanos começa a diminuir e o dono do estabelecimento anuncia, em alto e bom som, que não sustentaria mais aqueles “pretos”. Começamos a trabalhar servindo as mesas, lavando lençóis, arrumando os quartos. No período de folga, íamos para as ruas para vender ameixas. Tínhamos que prestar conta do dinheiro e, sem ter o que comer, por vezes o único alimento disponível era encontrado nas lixeiras.

O tempo foi passando e, de vez em quando, recebíamos visitas de casais dispostos a adotar uma ou outra criança. Certa vez, chegou até nós uma senhora brasileira, com o marido português. Olhou um por um e resolveu optar por mim. Compaixão? Solidariedade? Não, o critério de escolha foi digno dos piores tempos escravocratas. Segundo ela, as minhas canelas finas é que chamaram a atenção. “Negros assim costumam ser mais espertos”, disse, sem a menor cerimônia.

Mesmo assim, saí de lá achando que teria uma vida de princesa! A casa era enorme, luxuosa, aconchegante, mas a primeira atitude da minha nova “mãe” foi demitir a empregada e me colocar no lugar dela. Aos 10 anos, fui obrigada a assumir as tarefas domésticas. Trabalhava, estudava, cuidava da filhinha do casal e era surrada todos os dias, com ou sem motivo. Na garganta, um grito sufocado. Chorava silenciosamente.

‘Essa cor não apaga?’

Mas nada era tão doloroso quanto as palavras que vinham contra mim. Os adjetivos eram tantos e tão baixos que eu nem ousaria descrever. Um dia, por distração, esqueci de retirar o lixo do banheiro. Como castigo, além de apanhar, tive que aguentar que esfregassem todos os papeis do cesto no meu rosto. Como manter o equilíbrio diante de tanta humilhação? Sinceramente, eu não sei.

Na escola, não tinha sequer um amigo. Os mais atrevidos chegavam perto, passavam a borracha em mim e perguntavam: “Essa cor não apaga?”. Ah, como eu queria que apagasse! Como eu queria desaparecer, ser invisível! Talvez essa fosse a única maneira de fugir da perseguição constrangedora no colégio. Se houvesse qualquer aniversário, todos eram convidados, menos eu. Afinal, quem teria coragem de chamar uma “preta” para a festa? Sempre tive tanto orgulho da minha origem, mas, naquele momento, não queria mais ser forte. Passei a dormir com um pregador de roupas no nariz para tentar afiná-lo. Eu me olhava no espelho e sentia vergonha do que via.

Continuei a morar com aquela família até que eles decidiram mudar para o Brasil. Fomos para a cidade de Realeza, no interior do Paraná. A patroa me convenceu a vir, dizendo que tinha depositado um dinheiro na minha conta durante todos esses anos e que eu podia retirar, caso decidisse, um dia, voltar para Portugal. Tudo mentira! Vim para ser novamente escravizada.

Desde o começo, enxergava os estudos como a minha verdadeira libertação. Por isso, pedia de joelhos para que ela não me tirasse da escola. Inventava mil promessas, preparava os bolos mais gostosos, fazia de tudo para agradá-la. Porém, no primeiro vacilo, era afastada do colégio como forma de retaliação.

Quando completei uns vinte anos, ela conseguiu para mim os documentos brasileiros e precisei escolher meu próprio nome. Mas, como gostaria de ser chamada? Fechei os olhos e procurei na memória algo que fosse bonito. Pensei no mar… e sol. Marisol! Gostei imediatamente. Quanto ao sobrenome, não tive muitas opções, pois disseram que ele deveria combinar com a minha cara de pobre. Entre duas ou três alternativas que me foram dadas, fiquei com o Correa. Marisol Correa, muito prazer!

Com a roupa do corpo

A essa altura da vida, já era uma mulher feita. Porém, ainda me sentia absolutamente indefesa. Passei tanto tempo ouvindo insultos a meu respeito que acabei acreditando em todos eles. Uma vez, o sogro da minha patroa tocou em mim de um jeito diferente. Fiquei arrasada e fui me queixar com ela. A resposta veio rápida: “Eu? Tocar em uma ‘preta’? Jamais! Tenho nojo dessa gente!”. Na qualidade de “preta”, nojenta e intocável, comecei a crer que talvez merecesse todo aquele sofrimento.

A mulher para quem eu trabalhava era médica e, uma vez por mês, ela fazia com que eu abrisse as pernas para ser examinada e, assim, poderia confirmar se eu continuava virgem. Mas a minha situação na casa chegou ao limite quando fui acusada de roubo. Fiquei tão ofendida que ousei argumentar e acabei sendo expulsa com a roupa do corpo.

Estava lá, numa cidade em que não conhecia ninguém, onde todos riam da minha cor, da minha história e do meu jeito de falar. Busquei apoio na igreja. Esperei o fim da missa e, ao me ouvir, o padre ficou apavorado, sem saber como poderia ajudar. Decidimos ligar para minhas professoras. Eu era uma aluna muito esforçada, com certeza entenderiam a situação. À noitinha, consegui dormir escondida na casa delas.

No outro dia, a cidade inteira já comentava sobre uma tal “preta” que supostamente havia roubado os patrões, era amante do padre e estava foragida. A minha chefe teve a coragem de colocar um anúncio no rádio, dizendo que, além de tudo isso, eu era perigosa e tinha problemas mentais. Virei o assunto preferido dos moradores de Realeza. Não dava para ficar ali nem mais um minuto.

Com a ajuda das professoras, viajei para Curitiba com meia dúzia de roupas na bagagem, que foram compradas por elas. E aí, talvez a sorte tenha começado a mudar. Fui acolhida por uma família que me aceitou para trabalhar como empregada.

Sentia que aquela era a hora de virar o jogo. Fiz matrícula em um supletivo e, com muito empenho, consegui recuperar parte do tempo perdido. Com o novo nome vindo da documentação brasileira, não conseguia mais comprovar a escolaridade alcançada até então. Comecei de novo, do zero. Além de cuidar da casa, lavava roupa para fora, passava e estudava à noite. Um dia, surgiu uma vaga de trabalho em um escritório de contabilidade. Eu me candidatei e consegui ser aprovada. Era uma espécie de office girl, meu primeiro emprego com carteira assinada, depois de uma vida inteira trabalhando irregularmente como doméstica.

Angola nunca me abandonou

Não demorou muito para ser convocada para uma oportunidade melhor e me tornei escriturária na seção de contabilidade da Santa Casa de Misericórdia. Agarrei aquela chance e decidi estudar inglês, francês, alemão e teatro. Queria explorar todas as possibilidades desse mundo fascinante que estava se abrindo diante dos meus olhos. Nascia ali uma nova mulher, cada vez mais consciente de sua identidade e, por isso mesmo, cada vez mais liberta das amarras impostas pela opressão.

Depois de três anos, recebo um convite das mesmas professoras que me ajudaram em Realeza. Elas iriam montar uma escola na cidade de Guarantã do Norte, uma região de garimpo na divisa entre Mato Grosso e Pará. Comecei, então, a dar aulas de artes e inglês. Nos intervalos, ficava na secretaria e até fritava pasteis para vender na cantina. E, no fim do mês, eram tantos descontos no meu salário que eu ficava quase sem nada. No primeiro indício de que também ali seria explorada pela minha condição “inferior”, resolvi sair. Já há algum tempo não admitia mais qualquer tentativa de manipulação.

Assim, fui para a capital, Cuiabá. Sem qualquer perspectiva de emprego formal, aceitei vender, de porta em porta, livros e produtos exóticos, como óleos de baleia. Por pouco tempo, ainda bem! Logo comecei a me estabelecer e voltei a atuar como professora, entrei para o sindicato e me descobri na militância do movimento negro.

Aos 25 anos, continuava tão virgem quanto à época em que era examinada pela médica do Paraná. Mas, aos poucos, todos os meus complexos foram sendo minimizados. Pela primeira vez, me permiti ser desejada, admirada e consegui me entregar de vez ao amor. Em um dos eventos promovidos pelo movimento negro, conheci Wilson Miranda e mudei para Brasília, onde ele morava, e que é, hoje, o local em que decidi permanecer. Com ele, tive meus dois preciosos filhos, Odara e Pedro Akil.

Poderia dizer que a felicidade estava completa, se não tivesse contas a acertar com o meu passado. A ideia de reencontrar a família na Angola nunca me abandonou. Onde eu ia, tentava conseguir alguma pista ou qualquer informação que pudesse reacender as esperanças de um dia vê-los de novo. Tive muitas notícias falsas, fui enganada, mas nunca desisti.

‘Marisol, o Carlos sou eu!’

Até que um dia, conheci um senhor que trabalhava na embaixada da Angola e descobri que a esposa dele era da mesma região que eu. Ele levou uma foto e todos os detalhes que eu podia lembrar a respeito de nomes e características dos meus parentes de Candunda. Em 1998, mais de duas décadas depois de ter colocado pela última vez os meus pés em solo africano, recebo uma informação de que havia chances reais de localizar a minha família. Liguei para o meu contato na embaixada, que me deu certeza de que, em breve, eu receberia um telefonema de um homem que poderia ser meu irmão.

Chorei compulsivamente agarrada ao orelhão. As pernas já não me sustentavam, eu mal podia acreditar! Alguns dias se passaram e eu achava que talvez pudesse ter sido mais um alarme falso. Mas, aí, o telefone tocou. Do outro lado, um senhor com um sotaque acentuado tentava confirmar alguns dados que ajudassem a explicar a minha história. Fui, citando, um a um, o nome dos meus irmãos: Anastácio, Moisés, Vitória, Carlos… Quando ouviu esse último, ele disse na hora: “Marisol, o Carlos sou eu!”.

Com alguma dificuldade, consegui as passagens na embaixada e os meus amigos juntaram dinheiro para financiar despesas da viagem. Fui recebida em Luanda com festa, choro e a alegria inerente ao povo africano: “Luzembo, você voltou!”. Durante todo esse tempo, acharam que eu estivesse morta. Alguns até sugeriram fazer um enterro simbólico, mas minha mãe nunca aceitou. Ela passava dias inteiros olhando para o caminho que dava até Candunda, esperando que eu aparecesse.

Eu queria vê-la imediatamente, mas os parentes alertaram que não era seguro, pois a região em volta da aldeia estava tomada por minas terrestres. Mesmo assim, meu pai e minha mãe se arriscaram para me ver. Pegaram um carro e vieram em direção a Luanda quando o pior aconteceu. Uma mina, de fato, explodiu no caminho. O abraço mais aguardado da minha vida nunca chegou aonde devia. Fiquei órfã… de novo. Dessa vez, faltou tão pouco.

Nunca me recuperei desse episódio, mas, de lá para cá, consegui me formar em Jornalismo e voltei várias vezes a Angola. Há alguns anos, fui para morar lá e trabalhar na TPA, a maior emissora de televisão pública do país. Eu me separei do pai dos meus filhos. Porém, no ano passado, precisei voltar ao Brasil para ampará-lo. Ele estava com câncer e fiz questão de assumir todos os cuidados até o último dia; mas, infelizmente, acabei vendo-o morrer nos meus braços.

Tendo cumprido – ou ao menos tentado cumprir – a minha missão, estou de malas prontas de volta à África. Viajo em breve, levando na bagagem o coração machucado dessa mulher negra, lutadora e, mais importante, que nunca deixou de sonhar! Sonhar com uma sociedade em que todos sejamos verdadeiramente livres. Encerro a minha história com o lema do nosso lendário Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E, se podem aprender a odiar, podem também ser ensinadas a amar”.

A todos aqueles que me fizeram mal um dia, deixo aqui registrado o meu mais sincero perdão.

(OBS: as fotos desta publicação são de autoria da Marisol)