Cada mulher fotografada por Pola Fernandez escolheu uma imagem com a qual se identificasse ou que julgasse ter traços de suas ancestrais. Algumas são de geração próxima de antecedentes escravos

Por Xandra Stefanel, para Revista do Brasil, via Rede Brasil Atual

A exposição fotográfica Atavos, que resgata a memória da mulher negra brasileira, ficou em cartaz até o dia 10, no Centro Cultural do Jabaquara, em São Paulo. Com pesquisa, curadoria e fotos de Pola Fernandez, chilena radicada no Brasil, a mostra apresenta 20 mulheres negras fotografadas junto de imagens de suas antepassadas, todas submetidas ao regime de escravidão.

Cada mulher fotografada por Pola escolheu uma imagem com a qual se identificasse ou que julgasse ter características semelhantes às de suas ancestrais. Segundo a artista, algumas das retratadas têm mais de 60 anos e constituem a geração mais próxima de seus antecedentes escravos. Como muitas ainda se lembram de suas avós e bisavós, a escravidão ainda está, de alguma forma, viva em suas memórias.

O nome da exposição vem da palavra “atavismo”, também conhecido como hereditariedade. “Significa o reaparecimento de características de um ascendente remoto e que permanecem latentes por várias gerações”, afirma Pola.